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Criptorquidia em Bebês: Orientações para identificação, avaliação e manejo
30 de abril de 2024
Criptorquidia em Bebês: Orientações para identificação, avaliação e manejo

Autor:

Eludivila Especialização Pediátrica

Uma queixa muito comum em consultório é a Criptorquidia em bebês, condição em que um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal antes do nascimento, ou nos primeiros meses de vida. 


Com possíveis prejuízos à fertilidade, à vida social e até riscos de doenças futuras relacionadas, essa anormalidade congênita sexual masculina pode ser detectada no consultório do pediatra geral e o diagnóstico precoce pode ser crucial. 


Por isso, a Eludivila Especialização Pediátrica criou este artigo, revisado pelo Cirurgião Pediátrico Elber Rafael Deffendi Nordi, CRM 126.503, para elucidar as dúvidas em torno da criptorquidia em bebês e te ajudar a orientar os pais e cuidadores adequadamente. 

O que é Criptorquidia?

A criptorquidia é a ausência dos testículos (ambos ou apenas um) na sua localização normal, dentro do saco escrotal. Essa condição acontece ainda dentro do útero ou após o nascimento, nos primeiros meses de vida.


Os testículos “não descidos” ou criptorquídicos podem estar localizados na região intra-abdominal, onde são formados durante a gestação, na região inguinal, na raiz escrotal ou mesmo nem terem sido formados. 


Tipos de Criptorquidia


Existem diferentes tipos de criptorquidia em bebês:


  • Unilateral, com apenas um testículo afetado;


  • Bilateral, quando ambos os testículos são afetados;


  • Testículo inexistente.


Quais as causas e os fatores de risco associados?


A descida dos testículos à bolsa escrotal acontece a partir do terceiro mês de gestação, quando eles se deslocam da região abdominal para a escrotal. Por algum motivo, ainda desconhecido, esse movimento é paralisado, o que leva à criptorquidia.


Embora não se conheça a causa, existem fatores de risco associados, que podem ampliar as chances de desenvolvimento do problema. É o caso de:


  • Bebês prematuros, que nascem antes da total migração dos testículos ao local correto;


  • História familiar;


  • Condições médicas pré-existentes


Leia também: Puericultura: da capacitação à abertura do consultório


Sinais e sintomas típicos da criptorquidia em bebês


O sinal mais comum que pode indicar a presença de criptorquidia no bebê é a diferença de tamanho entre os testículos ou a ausência palpável deles (um ou ambos) no saco escrotal, uma queixa normalmente apresentada pelos pais em consultório. 


Na consulta de rotina, o pediatra deve examinar o paciente e avaliar se aquele testículo está ou não palpável. O indicado é que o médico de fato apalpe a região e procure o testículo, que pode estar na bolsa escrotal, na virilha (região inguinal), intra-abdominal ou em outras localizações. 


Como fazer o diagnóstico e a avaliação em consultório?

Criptorquidia

A principal forma de identificar a criptorquidia é por meio do exame físico e a ultrassonografia pode ser solicitada para confirmar o diagnóstico. 


Ao examinar, será possível avaliar se o testículo é ou não palpável, e isso fará diferença na condução do tratamento, entenda:


Testículo palpável


O palpável, como o próprio nome diz, é aquele testículo que pode ser sentido durante o exame ou mesmo notado visivelmente.


Durante o exame físico, o pediatra poderá avaliar se aquele testículo palpável é retrátil ou criptorquídico


  • Retrátil: acontece por reflexo cremastérico ou outros motivos. Nesse caso, o profissional pode movimentar o testículo e levá-lo até o saco escrotal. Ao descer, o testículo retrátil pode permanecer na bolsa após o manuseio ou retornar facilmente ao local original. Até a puberdade, a tendência é que o testículo desça naturalmente.


  • Testículo criptorquídico: não permanece e retorna à posição original após o manuseio ou oferece grande resistência na tentativa de movimentá-lo.


Testículo não palpável


Por outro lado, quando você, ao examinar, não consegue palpar o testículo na região inguinal, existem algumas possibilidades:


  • Ele está inserido na região intra-abdominal;


  • Está dentro da região inguinal, mas por algum motivo, o profissional não consegue localizá-lo;



  • Há ausência testicular.


Nesse caso, a ultrassonografia é ainda mais recomendada. Afinal, o exame de imagem é uma forma de gerar mais conforto aos pais, ao atestar e comprovar o relato do pediatra.


Ao confirmar o diagnóstico, o pediatra geral pode encaminhar o paciente ao cirurgião pediátrico para realização do tratamento adequado.


Quais as opções de manejo e tratamento pelo pediatra?


A principal forma de tratamento à criptorquidia é a correção cirúrgica (orquiopexia), que deve, preferencialmente, ser realizada a partir de 6 meses até um ano de idade. 


Até o primeiro semestre de vida do bebê, é possível que a criptorquidia palpável melhore naturalmente e aquele testículo desça para o local correto. Após esse período, se não houver movimentação, há indicação cirúrgica, que deve ser feita o mais rápido possível após o diagnóstico, desde que depois dos 6 meses de vida. Por isso, a recomendação é que os pediatras façam apenas uma monitorização cuidadosa nos primeiros meses.


No caso dos testículos retráteis, a operação não é indicada, a princípio. 


Quais os riscos da criptorquidia não tratada?


A criptorquidia não tratada pode causar diversos riscos ao paciente, a começar pela perda da função dos testículos, isto é, a fertilidade. Isso porque, quando o testículo está fora do lugar (na região inguinal), a temperatura é mais alta do que aquela encontrada na bolsa escrotal, o que prejudica a produção de espermatozoides.


Além disso, testículos fora do lugar apresentam um maior risco de câncer testicular na vida adulta.

Por fim, é preciso considerar os problemas psicossociais associados, como os fatores emocionais e estéticos, importantes sobretudo quando a criança vai crescendo e chegando à puberdade.


Conclusão


A criptorquidia é relativamente comum entre os pacientes do sexo masculino e é importante que os pediatras gerais façam o exame físico logo nas primeiras consultas da vida do bebê. Sabemos que pode ser desafiador localizar os testículos durante a apalpação (e definir sobre o tipo de criptorquidia), em alguns casos, sobretudo entre os recém-nascidos, mas essa conduta pode ajudar muito na qualidade de vida do seu paciente com o passar dos anos.


Afinal, o diagnóstico precoce pode prevenir complicações futuras, garantir um desenvolvimento saudável os testículos e também será decisivo para orientar o pediatra quanto ao manejo adequado caso a caso.


Se você quer continuar aprendendo sobre as condutas mais recomendadas em caso de patologias, para orientar bem os pais e cuidadores, a Eludivila Especialização Pediátrica oferece a Especialização em Puericultura e Patologia, ideal para ampliar o olhar médico às especificidades.



Por Eludivila Especialização Pediátrica 18 de junho de 2024
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos. Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica , revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764) , reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores. O que é Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)? Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente . Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ. O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros. Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado. Causas e Fatores de Risco da DDQ A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto , que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários , que causam predisposição genética. Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos: 1. Alterações do continente (útero) Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como: Oligoidrâmnio, quando o volume de líquido amniótico está abaixo do esperado para a idade gestacional e causa essa pressão; Primeira gestação, pois o útero costuma estar mais rígido; Útero com alguma fibrose, cicatriz ou deformidade; Gestação gemelar. 2. Fatores de risco relacionados ao conteúdo É o caso de gestações com bebês que: São grandes para a idade gestacional (GIG); Movimentam-se pouco dentro do útero, por diversas razões; Com apresentação pélvica, posição que pode aumentar em até 21 vezes o risco de DDQ. 3. Fatores genéticos Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril: Bebês do sexo feminino, que aumenta em até 9 vezes o risco de DDQ, já que os hormônios circulantes femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a flexibilidade das articulações e a frouxidão ligamentar; Histórico familiar positivo, que pode ser, na verdade, desde um familiar que efetivamente tratou uma DDQ, até algum familiar com um desgaste precoce do quadril (ou seja, artrose do quadril em torno dos 30 a 50 anos), que geralmente é causada por uma displasia leve não diagnosticada e, portanto, não tratada na infância. 4. Fatores extrauterinos São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como: Uso do “charutinho” com as pernas juntas e esticadas; Uso de outros acessórios que podem contribuir para que o quadril do bebê saia do lugar, como carregadores e andadores. Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como: Assimetria das nádegas (a assimetria das pregas isoladamente, porém, não tem significado clínico; precisa haver outros sinais para se pensar em DDQ); Limitação de movimento do quadril, com dificuldade na abertura das pernas (pode ser observado na troca de fraldas, por exemplo); Claudicação. Como fazer o diagnóstico e avaliação da DDQ Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril . Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão: Manobra de Ortolani: detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo e mostra o quadril luxado. Indicado para realização até os três meses de idade do bebê. A manobra de Ortolani, entretanto, é bastante falha: ela perde o diagnóstico em 95% dos casos leves e 50% dos casos graves, com o quadril efetivamente luxado; Manobra de Barlow : detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo, evidenciando o quadril que é passível de luxação e também deve ser feito até os três meses. É igualmente pouco confiável; Manobra de Hart: após os três meses, esse é o exame mais indicado, já que Ortolani e Barlow normalmente estão negativos, mesmo que o quadril esteja luxado. Se você quer aprender a realizar as manobras adequadamente, a Eludivila conta com aulas completas na Especialização em Puericultura com Patologias, com módulo específico para ortopedia. Acesse agora e amplie o seu conhecimento para além da residência médica Quando pedir um ultrassom do quadril? No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal , ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida. Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração: 1A e 1B: quadris maduros 2A: pode ser dividido em 2A+ (deve-se repetir o exame em um mês) e 2A- (recomendamos o tratamento, conforme orientações do protocolo europeu, proposto pelo Dr. Graf em 2022, já que há evidências de uma possível artrose no futuro); 2B: quadril alterado após os três meses de idade, que indica tratamento; 2C, 2D, 3 e 4: quadril alterado, que necessita tratamento. Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar. Tratamento e Manejo da DDQ
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