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Uma queixa muito comum em consultório é a Criptorquidia em bebês, condição em que um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal antes do nascimento, ou nos primeiros meses de vida.
Com possíveis prejuízos à fertilidade, à vida social e até riscos de doenças futuras relacionadas, essa anormalidade congênita sexual masculina pode ser detectada no consultório do pediatra geral e o diagnóstico precoce pode ser crucial.
Por isso, a Eludivila Especialização Pediátrica criou este artigo, revisado pelo Cirurgião Pediátrico Elber Rafael Deffendi Nordi, CRM 126.503, para elucidar as dúvidas em torno da criptorquidia em bebês e te ajudar a orientar os pais e cuidadores adequadamente.
A criptorquidia é a ausência dos testículos (ambos ou apenas um) na sua localização normal, dentro do saco escrotal. Essa condição acontece ainda dentro do útero ou após o nascimento, nos primeiros meses de vida.
Os testículos “não descidos” ou criptorquídicos podem estar localizados na região intra-abdominal, onde são formados durante a gestação, na região inguinal, na raiz escrotal ou mesmo nem terem sido formados.
Existem diferentes tipos de criptorquidia em bebês:
A descida dos testículos à bolsa escrotal acontece a partir do terceiro mês de gestação, quando eles se deslocam da região abdominal para a escrotal. Por algum motivo, ainda desconhecido, esse movimento é paralisado, o que leva à criptorquidia.
Embora não se conheça a causa, existem fatores de risco associados, que podem ampliar as chances de desenvolvimento do problema. É o caso de:
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O sinal mais comum que pode indicar a presença de criptorquidia no bebê é a diferença de tamanho entre os testículos ou a ausência palpável deles (um ou ambos) no saco escrotal, uma queixa normalmente apresentada pelos pais em consultório.
Na consulta de rotina, o pediatra deve examinar o paciente e avaliar se aquele testículo está ou não palpável. O indicado é que o médico de fato apalpe a região e procure o testículo, que pode estar na bolsa escrotal, na virilha (região inguinal), intra-abdominal ou em outras localizações.
A principal forma de identificar a criptorquidia é por meio do exame físico e a ultrassonografia pode ser solicitada para confirmar o diagnóstico.
Ao examinar, será possível avaliar se o testículo é ou não palpável, e isso fará diferença na condução do tratamento, entenda:
O palpável, como o próprio nome diz, é aquele testículo que pode ser sentido durante o exame ou mesmo notado visivelmente.
Durante o exame físico, o pediatra poderá avaliar se aquele testículo palpável é retrátil ou criptorquídico.
Por outro lado, quando você, ao examinar, não consegue palpar o testículo na região inguinal, existem algumas possibilidades:
Nesse caso, a ultrassonografia é ainda mais recomendada. Afinal, o exame de imagem é uma forma de gerar mais conforto aos pais, ao atestar e comprovar o relato do pediatra.
Ao confirmar o diagnóstico, o pediatra geral pode encaminhar o paciente ao cirurgião pediátrico para realização do tratamento adequado.
A principal forma de tratamento à criptorquidia é a correção cirúrgica (orquiopexia), que deve, preferencialmente, ser realizada a partir de 6 meses até um ano de idade.
Até o primeiro semestre de vida do bebê, é possível que a criptorquidia palpável melhore naturalmente e aquele testículo desça para o local correto. Após esse período, se não houver movimentação, há indicação cirúrgica, que deve ser feita o mais rápido possível após o diagnóstico, desde que depois dos 6 meses de vida. Por isso, a recomendação é que os pediatras façam apenas uma monitorização cuidadosa nos primeiros meses.
No caso dos testículos retráteis, a operação não é indicada, a princípio.
A criptorquidia não tratada pode causar diversos riscos ao paciente, a começar pela perda da função dos testículos, isto é, a fertilidade. Isso porque, quando o testículo está fora do lugar (na região inguinal), a temperatura é mais alta do que aquela encontrada na bolsa escrotal, o que prejudica a produção de espermatozoides.
Além disso, testículos fora do lugar apresentam um maior risco de câncer testicular na vida adulta.
Por fim, é preciso considerar os problemas psicossociais associados, como os fatores emocionais e estéticos, importantes sobretudo quando a criança vai crescendo e chegando à puberdade.
A criptorquidia é relativamente comum entre os pacientes do sexo masculino e é importante que os pediatras gerais façam o exame físico logo nas primeiras consultas da vida do bebê. Sabemos que pode ser desafiador localizar os testículos durante a apalpação (e definir sobre o tipo de criptorquidia), em alguns casos, sobretudo entre os recém-nascidos, mas essa conduta pode ajudar muito na qualidade de vida do seu paciente com o passar dos anos.
Afinal, o diagnóstico precoce pode prevenir complicações futuras, garantir um desenvolvimento saudável os testículos e também será decisivo para orientar o pediatra quanto ao manejo adequado caso a caso.
Se você quer continuar aprendendo sobre as condutas mais recomendadas em caso de patologias, para orientar bem os pais e cuidadores, a Eludivila Especialização Pediátrica oferece a Especialização em Puericultura e Patologia, ideal para ampliar o olhar médico às especificidades.
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