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Vacina da dengue para crianças: como orientar pais em consultório
29 de março de 2024
Vacina da dengue para crianças: como orientar pais em consultório

Autor:

Eludivila Especialização Pediátrica

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda, que se manifesta de forma diversa, porém é considerada uma das doenças potencialmente graves entre as crianças. Com um aumento expressivo no número de casos e mortes nos últimos anos, foi apontada como uma das 10 maiores ameaças à saúde global, em 2019.


Após estudos sistemáticos, a nova vacina da dengue, QDENGA®, produzida pelo laboratório japonês Takeda Pharma, foi aprovada em março de 2023 pela Anvisa e passou a integrar, em fevereiro de 2024, o Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde.


A imunização é crucial para prevenção da doença e a promoção da vacinação nas comunidades é um papel dos pediatras.


Por isso, neste artigo da Eludivila Especialização Pediátrica, reunimos as principais informações a respeito da imunização contra a dengue para crianças, para que você possa orientar os seus pacientes corretamente.


Composição e método de ação da vacina contra a dengue (QDENGA®)

A QDENGA é uma vacina tetravalente, que abrange os quatro sorotipos da dengue, DENV 1, 2, 3 e 4. Para proporcionar uma resposta imunológica eficaz, ela foi produzida a partir do vírus vivo atenuado, o que simula a defesa natural do corpo contra a doença. 


A formulação foi realizada com base no sorotipo 2 geneticamente atenuado (TDV-2), com três vírus quiméricos contendo os genes das proteínas pré-membrana e envelope do DENV-1, DENV-3 e DENV-4 dentro da estrutura genética do TDV-2.



Após estudos extensivos, com 28 mil crianças e adultos em 13 países, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a distribuição da vacina.


Qual a diferença em relação à Dengvaxia?



A vacina contra a dengue já existia no país há alguns anos e, por isso, surgiram dúvidas em relação à nova vacina, que podem aparecer no consultório.


A QDENGA® surgiu como uma alternativa superior e mais abrangente à Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi-Pasteur, já aplicada no país desde 2015 em pessoas de 9 a 45 anos. 


Após 5 anos de monitoramento, o imunizante anterior mostrou um benefício exclusivo às pessoas que já haviam sido contaminadas pelo vírus. Para as soronegativas, houve um aumento no risco de hospitalização.


Já a QDENGA®, é recomendada independentemente de exposição prévia à dengue e ainda abarca uma faixa etária mais ampla.


Qual a eficácia em crianças? A vacina é segura?


A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a vacina QDENGA® como escolha preferencial para imunizar crianças e adolescentes.


Isso porque, após estudos detalhados, a vacina demonstrou uma proteção geral de 80,2%. Os estudos foram realizados em três fases e, após a Parte 3, que acompanhou o seguimento da vacina após 4,5 anos da segunda dose, constatou-se que a eficácia permaneceu satisfatória e sustentada contra hospitalizações e a infecção por dengue.


Isso significa que a vacina é segura para os seus pacientes e é importante reforçar a necessidade de imunização, considerando a atual epidemia de dengue no Brasil. 


Leia também: Puericultura: da capacitação à abertura do consultório


Eventos adversos da vacina da dengue

Segundo o fabricante, os eventos adversos mais comuns (ocorrem entre 1% e 10% das pessoas) são sensibilidade local, fadiga, mialgia, febre, calafrios e perda ou diminuição da força física. Também pode ocorrer perda de apetite, irritabilidade, dor de cabeça e sintomas gripais.


Os efeitos podem ser monitorados e, em caso de eventos leves, não é necessário o adiamento da imunização. A vacinação deve ser adiada apenas em pacientes que apresentem doença febril aguda moderada a grave.


Em caso de pessoas que tiverem infecção por dengue, recomenda-se um intervalo de seis meses para iniciar o esquema vacinal. 


Quem deve tomar a vacina contra a dengue?

A vacina da dengue é indicada para pessoas de 4 a 60 anos.


O programa vacinal oferecido pelo SUS foi dividido conforme as faixas etárias que apresentam maior risco de agravamento e as regiões no país com maior incidência da doença.


A vacina pode ser tomada de forma gratuita nos postos de saúde de alguns municípios (é preciso verificar as orientações das autoridades de saúde da sua cidade) ou no particular, sendo a mesma vacina em ambos. 


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E quem não pode tomar?

A vacina está contraindicada para pessoas imunocomprometidas (incluindo crianças, adolescentes e adultos), gestantes, lactantes e pessoas com hipersensibilidade aos componentes da vacina.


É interessante orientar às mães que amamentam, que a vacinação não deve ser realizada, uma vez que não há comprovação sobre a excreção do vírus vacinal pelo leite humano e consequente transmissão ao lactente.


Além disso, a exemplo do preconizado para outras vacinas atenuadas, mulheres tentantes podem tomar, mas devem ser orientadas a evitar a gestação por um mês após a vacinação.


No caso das crianças abaixo de 4 anos, a vacina mostrou baixa eficácia, o que motivou a contraindicação.


Como se proteger contra o mosquito?

É interessante orientar aos pais e cuidadores de crianças menores de 4 anos sobre a importância da prevenção à picada do mosquito Aedes aegypti, por meio do uso de repelentes e telas de proteção. Afinal, elas ainda não fazem parte do esquema vacinal.



O uso de repelentes, contudo, deve ser cauteloso, já que determinadas substâncias ou concentrações de produto não são adequadas para bebês. Para te ajudar, criamos esse artigo com todas as informações sobre repelentes para que você possa orientar os seus pacientes. 


Esquemas de Vacinação e Doses Recomendadas

A vacina da dengue deve ser administrada por via subcutânea, na dosagem de 0,5 ml, em duas doses (com intervalo de 90 dias).


A aplicação pode ser feita independentemente da exposição anterior à dengue e sem necessidade de teste pré-vacinação.


Com essas informações, você pode transmitir aos pais e cuidadores a importância da vacinação frente à epidemia de dengue no país e reforçar sobre a eficácia e segurança da nova vacina.


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Por Eludivila Especialização Pediátrica 18 de junho de 2024
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos. Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica , revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764) , reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores. O que é Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)? Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente . Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ. O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros. Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado. Causas e Fatores de Risco da DDQ A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto , que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários , que causam predisposição genética. Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos: 1. Alterações do continente (útero) Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como: Oligoidrâmnio, quando o volume de líquido amniótico está abaixo do esperado para a idade gestacional e causa essa pressão; Primeira gestação, pois o útero costuma estar mais rígido; Útero com alguma fibrose, cicatriz ou deformidade; Gestação gemelar. 2. Fatores de risco relacionados ao conteúdo É o caso de gestações com bebês que: São grandes para a idade gestacional (GIG); Movimentam-se pouco dentro do útero, por diversas razões; Com apresentação pélvica, posição que pode aumentar em até 21 vezes o risco de DDQ. 3. Fatores genéticos Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril: Bebês do sexo feminino, que aumenta em até 9 vezes o risco de DDQ, já que os hormônios circulantes femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a flexibilidade das articulações e a frouxidão ligamentar; Histórico familiar positivo, que pode ser, na verdade, desde um familiar que efetivamente tratou uma DDQ, até algum familiar com um desgaste precoce do quadril (ou seja, artrose do quadril em torno dos 30 a 50 anos), que geralmente é causada por uma displasia leve não diagnosticada e, portanto, não tratada na infância. 4. Fatores extrauterinos São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como: Uso do “charutinho” com as pernas juntas e esticadas; Uso de outros acessórios que podem contribuir para que o quadril do bebê saia do lugar, como carregadores e andadores. Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como: Assimetria das nádegas (a assimetria das pregas isoladamente, porém, não tem significado clínico; precisa haver outros sinais para se pensar em DDQ); Limitação de movimento do quadril, com dificuldade na abertura das pernas (pode ser observado na troca de fraldas, por exemplo); Claudicação. Como fazer o diagnóstico e avaliação da DDQ Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril . Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão: Manobra de Ortolani: detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo e mostra o quadril luxado. Indicado para realização até os três meses de idade do bebê. A manobra de Ortolani, entretanto, é bastante falha: ela perde o diagnóstico em 95% dos casos leves e 50% dos casos graves, com o quadril efetivamente luxado; Manobra de Barlow : detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo, evidenciando o quadril que é passível de luxação e também deve ser feito até os três meses. É igualmente pouco confiável; Manobra de Hart: após os três meses, esse é o exame mais indicado, já que Ortolani e Barlow normalmente estão negativos, mesmo que o quadril esteja luxado. Se você quer aprender a realizar as manobras adequadamente, a Eludivila conta com aulas completas na Especialização em Puericultura com Patologias, com módulo específico para ortopedia. Acesse agora e amplie o seu conhecimento para além da residência médica Quando pedir um ultrassom do quadril? No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal , ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida. Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração: 1A e 1B: quadris maduros 2A: pode ser dividido em 2A+ (deve-se repetir o exame em um mês) e 2A- (recomendamos o tratamento, conforme orientações do protocolo europeu, proposto pelo Dr. Graf em 2022, já que há evidências de uma possível artrose no futuro); 2B: quadril alterado após os três meses de idade, que indica tratamento; 2C, 2D, 3 e 4: quadril alterado, que necessita tratamento. Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar. Tratamento e Manejo da DDQ
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Informações para pediatras sobre a Criptorquidia em bebês. Entenda as opções de manejo, como diagnosticar e orientar pais e cuidadores.
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O desenvolvimento da linguagem na primeira infância é uma verdadeira jornada, neste artigo oferecemos dicas práticas, orientações e estratégias específicas para estimular a comunicação durante essa fase.

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