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A dengue é uma doença infecciosa febril aguda, que se manifesta de forma diversa, porém é considerada uma das doenças potencialmente graves entre as crianças. Com um aumento expressivo no número de casos e mortes nos últimos anos, foi apontada como uma das 10 maiores ameaças à saúde global, em 2019.
Após estudos sistemáticos, a nova vacina da dengue, QDENGA®, produzida pelo laboratório japonês Takeda Pharma, foi aprovada em março de 2023 pela Anvisa e passou a integrar, em fevereiro de 2024, o Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde.
A imunização é crucial para prevenção da doença e a promoção da vacinação nas comunidades é um papel dos pediatras.
Por isso, neste artigo da Eludivila Especialização Pediátrica, reunimos as principais informações a respeito da imunização contra a dengue para crianças, para que você possa orientar os seus pacientes corretamente.
A QDENGA é uma vacina tetravalente, que abrange os quatro sorotipos da dengue, DENV 1, 2, 3 e 4. Para proporcionar uma resposta imunológica eficaz, ela foi produzida a partir do vírus vivo atenuado, o que simula a defesa natural do corpo contra a doença.
A formulação foi realizada com base no sorotipo 2 geneticamente atenuado (TDV-2), com três vírus quiméricos contendo os genes das proteínas pré-membrana e envelope do DENV-1, DENV-3 e DENV-4 dentro da estrutura genética do TDV-2.
Após estudos extensivos, com 28 mil crianças e adultos em 13 países, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a distribuição da vacina.
A vacina contra a dengue já existia no país há alguns anos e, por isso, surgiram dúvidas em relação à nova vacina, que podem aparecer no consultório.
A QDENGA® surgiu como uma alternativa superior e mais abrangente à Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi-Pasteur, já aplicada no país desde 2015 em pessoas de 9 a 45 anos.
Após 5 anos de monitoramento, o imunizante anterior mostrou um benefício exclusivo às pessoas que já haviam sido contaminadas pelo vírus. Para as soronegativas, houve um aumento no risco de hospitalização.
Já a QDENGA®, é recomendada independentemente de exposição prévia à dengue e ainda abarca uma faixa etária mais ampla.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a vacina QDENGA® como escolha preferencial para imunizar crianças e adolescentes.
Isso porque, após estudos detalhados, a vacina demonstrou uma proteção geral de 80,2%. Os estudos foram realizados em três fases e, após a Parte 3, que acompanhou o seguimento da vacina após 4,5 anos da segunda dose, constatou-se que a eficácia permaneceu satisfatória e sustentada contra hospitalizações e a infecção por dengue.
Isso significa que a vacina é segura para os seus pacientes e é importante reforçar a necessidade de imunização, considerando a atual epidemia de dengue no Brasil.
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Segundo o fabricante, os eventos adversos mais comuns (ocorrem entre 1% e 10% das pessoas) são sensibilidade local, fadiga, mialgia, febre, calafrios e perda ou diminuição da força física. Também pode ocorrer perda de apetite, irritabilidade, dor de cabeça e sintomas gripais.
Os efeitos podem ser monitorados e, em caso de eventos leves, não é necessário o adiamento da imunização. A vacinação deve ser adiada apenas em pacientes que apresentem doença febril aguda moderada a grave.
Em caso de pessoas que tiverem infecção por dengue, recomenda-se um intervalo de seis meses para iniciar o esquema vacinal.
A vacina da dengue é indicada para pessoas de 4 a 60 anos.
O programa vacinal oferecido pelo SUS foi dividido conforme as faixas etárias que apresentam maior risco de agravamento e as regiões no país com maior incidência da doença.
A vacina pode ser tomada de forma gratuita nos postos de saúde de alguns municípios (é preciso verificar as orientações das autoridades de saúde da sua cidade) ou no particular, sendo a mesma vacina em ambos.
Quer se manter atualizado para atender em consultório? A Especialização Contínua Eludivila pode ser para você.
A vacina está contraindicada para pessoas imunocomprometidas (incluindo crianças, adolescentes e adultos), gestantes, lactantes e pessoas com hipersensibilidade aos componentes da vacina.
É interessante orientar às mães que amamentam, que a vacinação não deve ser realizada, uma vez que não há comprovação sobre a excreção do vírus vacinal pelo leite humano e consequente transmissão ao lactente.
Além disso, a exemplo do preconizado para outras vacinas atenuadas, mulheres tentantes podem tomar, mas devem ser orientadas a evitar a gestação por um mês após a vacinação.
No caso das crianças abaixo de 4 anos, a vacina mostrou baixa eficácia, o que motivou a contraindicação.
É interessante orientar aos pais e cuidadores de crianças menores de 4 anos sobre a importância da prevenção à picada do mosquito Aedes aegypti, por meio do uso de repelentes e telas de proteção. Afinal, elas ainda não fazem parte do esquema vacinal.
O uso de repelentes, contudo, deve ser cauteloso, já que determinadas substâncias ou concentrações de produto não são adequadas para bebês. Para te ajudar, criamos esse artigo com todas as informações sobre repelentes para que você possa orientar os seus pacientes.
A vacina da dengue deve ser administrada por via subcutânea, na dosagem de 0,5 ml, em duas doses (com intervalo de 90 dias).
A aplicação pode ser feita independentemente da exposição anterior à dengue e sem necessidade de teste pré-vacinação.
Com essas informações, você pode transmitir aos pais e cuidadores a importância da vacinação frente à epidemia de dengue no país e reforçar sobre a eficácia e segurança da nova vacina.
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