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A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos.
Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica, revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764), reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente.
Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ.
O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros.
Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado.
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto, que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários, que causam predisposição genética.
Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos:
Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como:
É o caso de gestações com bebês que:
Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril:
São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como:
Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras
Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como:
Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril.
Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão:
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No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal, ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida.
Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração:
Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar.
Mas, então, após a detecção, qual tratamento seguir para Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês?
Existem os métodos mais conservadores, como uso de dispositivos ortopédicos (suspensório de Pavlik, com uso por pelo menos 8 semanas), até intervenções cirúrgicas, quando necessário.
É muito importante que essa avaliação e o tratamento sejam feitos logo nos primeiros meses de vida do bebê, já que a detecção precoce ajuda a prevenir complicações a longo prazo. Assim, o paciente terá um desenvolvimento saudável do quadril, o que ajudará em todo o desenvolvimento motor.
A janela de oportunidade de tratamento é nos primeiros seis meses de vida. Os melhores resultados, a janela de ouro, ocorrem no primeiro vez de vida. A janela de prata é no período entre 1 e 3 meses de vida. A partir dos 3 meses, já começa a ficar mais difícil (janela de bronze); por fim, após os 5 meses, a janela se fecha, e restam apenas procedimentos cirúrgicos.
É muito comum que os pais e cuidadores tenham diversas dúvidas, sobretudo relacionadas ao uso de andadores, empurradores, carregadores e outros acessórios que podem alterar o posicionamento das articulações. Para te ajudar a respondê-las, citamos algumas perguntas frequentes:
O charutinho (Swaddling) é um acessório que simula o aconchego que o bebê sentia dentro do útero, o que pode ajudá-los a se acalmar e dormir melhor. Porém, ao enrolar as pernas, elas podem ficar muito apertadas e essa falta de movimento pode, sim, aumentar o risco de Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ).
Durante a noite, os quadris e joelhos devem ficar livres, por isso o saco de dormir ou safe-swaddling pode ser uma solução mais indicada, até que o bebê complete três meses. Após essa idade, a recomendação é que nenhum acessório seja utilizado.
É importante que a amarração no sling, o uso de cangurus e mochilas evolutivas sejam feitos de forma ergonômica. O bebê deve estar sempre com a barriga voltada para o cuidador e o acessório carregador não pode apoiar na virilha do bebê, mas suportar todo o quadril, para que as perninhas fiquem em “M” e não esticadas.
Outro questionamento recorrente é sobre o “sentar em W”. Ao nascer, todos os bebês têm uma anteversão dos quadris e pés alinhados a 40°. Com o passar do tempo, é natural que essa inclinação chegue a 15° com 10 anos.
Mas por causa dessa anteversão, é mais fácil para as crianças girarem os quadris para dentro, ou seja, essa é uma posição natural e mais confortável do que se sentar com pernas cruzadas. É um mito de que essa posição pode causar um problema ortopédico. Há, efetivamente, um estudo científico mostrando que não há absolutamente qualquer relação entre displasia do quadril e sentar em W.
Além disso, andadores não são recomendados, pois oferecem riscos ortopédicos, mas também de acidentes ao bebê.
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