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Displasia do Desenvolvimento do Quadril em Bebês: O que os pediatras precisam saber
18 de junho de 2024
Displasia do Desenvolvimento do Quadril em Bebês: O que os pediatras precisam saber

Autor:

Eludivila Especialização Pediátrica

A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos.


Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica, revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764), reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores.


O que é Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)?


Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente.


Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ.


O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros.


Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado. 


Causas e Fatores de Risco da DDQ


A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto, que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários, que causam predisposição genética.


Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos:


1.     Alterações do continente (útero)


Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como:


  • Oligoidrâmnio, quando o volume de líquido amniótico está abaixo do esperado para a idade gestacional e causa essa pressão;
  • Primeira gestação, pois o útero costuma estar mais rígido;
  • Útero com alguma fibrose, cicatriz ou deformidade;
  • Gestação gemelar.


2.     Fatores de risco relacionados ao conteúdo


É o caso de gestações com bebês que:


  • São grandes para a idade gestacional (GIG);
  • Movimentam-se pouco dentro do útero, por diversas razões;
  • Com apresentação pélvica, posição que pode aumentar em até 21 vezes o risco de DDQ.


3.     Fatores genéticos


Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril:


  • Bebês do sexo feminino, que aumenta em até 9 vezes o risco de DDQ, já que os hormônios circulantes femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a flexibilidade das articulações e a frouxidão ligamentar;
  • Histórico familiar positivo, que pode ser, na verdade, desde um familiar que efetivamente tratou uma DDQ, até algum familiar com um desgaste precoce do quadril (ou seja, artrose do quadril em torno dos 30 a 50 anos), que geralmente é causada por uma displasia leve não diagnosticada e, portanto, não tratada na infância.


4.     Fatores extrauterinos

São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como:


  • Uso do “charutinho” com as pernas juntas e esticadas;
  • Uso de outros acessórios que podem contribuir para que o quadril do bebê saia do lugar, como carregadores e andadores.


Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras


Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril


Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como:


  • Assimetria das nádegas (a assimetria das pregas isoladamente, porém, não tem significado clínico; precisa haver outros sinais para se pensar em DDQ);
  • Limitação de movimento do quadril, com dificuldade na abertura das pernas (pode ser observado na troca de fraldas, por exemplo);
  • Claudicação.


Como fazer o diagnóstico e avaliação da DDQ


Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril.


Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão:


  • Manobra de Ortolani: detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo e mostra o quadril luxado. Indicado para realização até os três meses de idade do bebê. A manobra de Ortolani, entretanto, é bastante falha: ela perde o diagnóstico em 95% dos casos leves e 50% dos casos graves, com o quadril efetivamente luxado;
  • Manobra de Barlow: detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo, evidenciando o quadril que é passível de luxação e também deve ser feito até os três meses. É igualmente pouco confiável;
  • Manobra de Hart: após os três meses, esse é o exame mais indicado, já que Ortolani e Barlow normalmente estão negativos, mesmo que o quadril esteja luxado.


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Quando pedir um ultrassom do quadril?


No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal, ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida. 


Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração:


  • 1A e 1B: quadris maduros
  • 2A: pode ser dividido em 2A+ (deve-se repetir o exame em um mês) e 2A- (recomendamos o tratamento, conforme orientações do protocolo europeu, proposto pelo Dr. Graf em 2022, já que há evidências de uma possível artrose no futuro);
  • 2B: quadril alterado após os três meses de idade, que indica tratamento;
  • 2C, 2D, 3 e 4: quadril alterado, que necessita tratamento.


Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar.


Tratamento e Manejo da DDQ

Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês

Mas, então, após a detecção, qual tratamento seguir para Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês?


Existem os métodos mais conservadores, como uso de dispositivos ortopédicos (suspensório de Pavlik, com uso por pelo menos 8 semanas), até intervenções cirúrgicas, quando necessário.


É muito importante que essa avaliação e o tratamento sejam feitos logo nos primeiros meses de vida do bebê, já que a detecção precoce ajuda a prevenir complicações a longo prazo. Assim, o paciente terá um desenvolvimento saudável do quadril, o que ajudará em todo o desenvolvimento motor. 


A janela de oportunidade de tratamento é nos primeiros seis meses de vida. Os melhores resultados, a janela de ouro, ocorrem no primeiro vez de vida. A janela de prata é no período entre 1 e 3 meses de vida. A partir dos 3 meses, já começa a ficar mais difícil (janela de bronze); por fim, após os 5 meses, a janela se fecha, e restam apenas procedimentos cirúrgicos.


Respondendo às perguntas dos pais e cuidadores


É muito comum que os pais e cuidadores tenham diversas dúvidas, sobretudo relacionadas ao uso de andadores, empurradores, carregadores e outros acessórios que podem alterar o posicionamento das articulações. Para te ajudar a respondê-las, citamos algumas perguntas frequentes:


Pode envolver o bebê no charutinho?


O charutinho (Swaddling) é um acessório que simula o aconchego que o bebê sentia dentro do útero, o que pode ajudá-los a se acalmar e dormir melhor. Porém, ao enrolar as pernas, elas podem ficar muito apertadas e essa falta de movimento pode, sim, aumentar o risco de Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ).


Durante a noite, os quadris e joelhos devem ficar livres, por isso o saco de dormir ou safe-swaddling pode ser uma solução mais indicada, até que o bebê complete três meses. Após essa idade, a recomendação é que nenhum acessório seja utilizado.


Qual carregador mais indicado?


É importante que a amarração no sling, o uso de cangurus e mochilas evolutivas sejam feitos de forma ergonômica. O bebê deve estar sempre com a barriga voltada para o cuidador e o acessório carregador não pode apoiar na virilha do bebê, mas suportar todo o quadril, para que as perninhas fiquem em “M” e não esticadas.


Faz mal o bebê se sentar em W?


Outro questionamento recorrente é sobre o “sentar em W”. Ao nascer, todos os bebês têm uma anteversão dos quadris e pés alinhados a 40°. Com o passar do tempo, é natural que essa inclinação chegue a 15° com 10 anos.


Mas por causa dessa anteversão, é mais fácil para as crianças girarem os quadris para dentro, ou seja, essa é uma posição natural e mais confortável do que se sentar com pernas cruzadas. É um mito de que essa posição pode causar um problema ortopédico. Há, efetivamente, um estudo científico mostrando que não há absolutamente qualquer relação entre displasia do quadril e sentar em W.


Além disso, andadores não são recomendados, pois oferecem riscos ortopédicos, mas também de acidentes ao bebê.


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