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Golden hour: o que é e quais são os benefícios para a mãe e o bebê
23 de maio de 2023
Golden hour: o que é e quais são os benefícios para a mãe e o bebê

Autor:

Eludivila Especialização Pediátrica

A primeira hora do bebê após o nascimento representa sua transição do útero para o ambiente externo. Esse momento, que é extremamente importante para mãe e filho, é chamado de golden hour ou, em tradução literal, “hora de ouro”.


Por mais que seja muito relevante para a saúde do recém-nascido e para sua relação com a mãe, que passa por uma grande mudança após o parto, esse detalhe nem sempre é valorizado, sendo desconhecido ou não realizado em muitas maternidades.


Nesta publicação, você poderá conhecer um pouco mais sobre a golden hour e entender como valorizar esse momento entre mãe e filho pode trazer inúmeros benefícios para ambos.



Empatia


Você pode estranhar esse subtítulo, mas a empatia é uma ótima palavra para explicar a importância da primeira hora do recém-nascido para seu desenvolvimento. Já parou para pensar em como o bebê está se sentindo dentro do útero?


Refletir sobre como é a vida do bebê dentro da barriga da mãe nos ajuda a entender a importância desse momento. Durante todo o processo gestacional, o bebê está ouvindo sons e a voz da mãe e de pessoas próximas, abrigado em uma temperatura constante, recebendo alimento o tempo todo, sentindo o cheiro do corpo da mãe e sempre acolhido.


Antes do nascimento, ele não conhece o silêncio, não sabe o que é sentir frio e calor e tampouco está acostumado a se sentir “solto”. Ele está sempre protegido pela mãe e todo o ambiente que o útero proporciona. Sair desse ambiente seguro é uma mudança muito brusca.


A transição do útero para o ambiente externo


O intuito dessa reflexão é um só: tentar assegurar que a transição do bebê do útero para o ambiente seja realizada da forma mais acolhedora possível. Por isso a importância da golden hour.


Nos próximos tópicos, você vai entender como é possível transformar a primeira hora depois do nascimento em um momento muito mais tranquilo e confortável para a criança que acaba de chegar ao mundo.


"Tudo pode esperar"


Considerando que o bebê nasça bem e saudável, nada será mais importante do que ele ir para o colo materno. Todo o resto, como pesagem, administração da vitamina K e vacina contra epatite B, por exemplo, pode e deve esperar. Garantir o vínculo entre mãe e filho também faz parte do desenvolvimento saudável.


Pele a pele: benefícios


Antes de citar os benefícios do contato da pele do bebê com a pele da mãe, é importante destacar que isso independe da via de parto e que o ideal é que dure pelo menos uma hora.


Entre os benefícios desse contato, estão:


  • Ajuda na adaptação do bebê à vida extrauterina;
  • Auxilia a estabilizar os sinais vitais e temperatura do recém-nascido;
  • Reduz a dor durante a realização de procedimentos perinatais;
  • Beneficia a formação da microbiota do bebê.


Amamentação


Esse momento também é muito importante para a amamentação, uma vez que facilita o processo de estimular o início do aleitamento materno que, preferencialmente, deve ocorrer ainda na golden hour. A amamentação nesse momento é beneficiada também pelos seguintes motivos:


  • Diminui o nível de hormônios de estresse na mãe e no bebê;
  • Melhora a efetividade da mamada e reduz tempo de obtenção de sucção efetiva;
  • Favorece o início da fase 3 de lactação (apojadura).


O parto e o pós-parto estão diretamente relacionados à amamentação.

Golden hour: a primeira hora do bebê


É possível fazer uma linha do tempo da primeira hora do bebê após o parto. O que descreveremos a seguir é a linha de acontecimentos caso não haja nenhuma intervenção sobre a dupla mãe-bebê. É possível ver esse momento acontecendo em diversos vídeos na internet, são todos muito emocionantes, vale a pena! Iremos narrar os tempos e evolução do bebê logo após o nascimento:


0 minuto: nascimento


Começa aqui a jornada do bebê no ambiente externo. E ela pode ou não estar associada ao choro: diferentemente do que muitas pessoas imaginam, nem todos os recém-nascidos choram na hora do parto. E não há problema algum.


1 - 3 minutos: relaxamento


Depois do “susto” inicial, o bebê começa uma fase de relaxamento, que só é possível quando há o contato pele a pele. Ele vai entender que há uma mudança de ambiente, mas se sentirá mais seguro por sentir que está com a mãe.


3 - 8 minutos: despertar


Depois de se sentir seguro, o bebê começa a despertar e fazer pequenos movimentos com a cabeça e com a mão. Ele também pode abrir os olhos.


8 - 35 minutos: atividade


Neste momento, o bebê começa a aumentar os movimentos de boca, sucção e olho no olho.


35 - 45 minutos: “rastejamento”


O recém-nascido pode começar a procurar o seio da mãe fazendo pequenos movimentos com os pés, o dorso e a cabeça.


45 - 60 minutos: familiarização


Depois de alcançar o peito, o bebê gasta certo tempo explorando o mamilo. Depois de cerca de uma hora, ele pode começar a mamar.


Por fim, depois da primeira mamada, a mãe e o bebê estão prontos para dormir e o recém-nascido pode entrar em uma fase de sono mais profundo.


A realidade


Tudo o que você viu neste artigo sobre a golden hour representa o mundo ideal, mas não necessariamente é a realidade. Estudos mostram que, em boa parte dos casos, os recém-nascidos não têm a oportunidade de fazer uma transição do útero para o ambiente externo com todo esse conforto e segurança.


Nós, da Eludivila, acreditamos muito na importância de garantir que esse primeiro momento seja o mais confortável possível para o bebê. Por isso, o ideal é dar oportunidade a todos os bebês, ainda que eles sejam prematuros, tenham nascido por cesárea ou estejam enfrentando outros empecilhos.


A golden hour é muito importante e, se possível, deve ser garantida a todas as famílias.


Saiba mais sobre o parto e o pós-parto


A primeira hora do bebê é um assunto muito importante, assim como diversos outros temas relacionados ao parto e ao pós-parto. Esse e outros temas estão na Especialização em Puericultura da Eludivila.


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Por Eludivila Especialização Pediátrica 18 de junho de 2024
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos. Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica , revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764) , reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores. O que é Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)? Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente . Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ. O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros. Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado. Causas e Fatores de Risco da DDQ A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto , que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários , que causam predisposição genética. Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos: 1. Alterações do continente (útero) Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como: Oligoidrâmnio, quando o volume de líquido amniótico está abaixo do esperado para a idade gestacional e causa essa pressão; Primeira gestação, pois o útero costuma estar mais rígido; Útero com alguma fibrose, cicatriz ou deformidade; Gestação gemelar. 2. Fatores de risco relacionados ao conteúdo É o caso de gestações com bebês que: São grandes para a idade gestacional (GIG); Movimentam-se pouco dentro do útero, por diversas razões; Com apresentação pélvica, posição que pode aumentar em até 21 vezes o risco de DDQ. 3. Fatores genéticos Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril: Bebês do sexo feminino, que aumenta em até 9 vezes o risco de DDQ, já que os hormônios circulantes femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a flexibilidade das articulações e a frouxidão ligamentar; Histórico familiar positivo, que pode ser, na verdade, desde um familiar que efetivamente tratou uma DDQ, até algum familiar com um desgaste precoce do quadril (ou seja, artrose do quadril em torno dos 30 a 50 anos), que geralmente é causada por uma displasia leve não diagnosticada e, portanto, não tratada na infância. 4. Fatores extrauterinos São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como: Uso do “charutinho” com as pernas juntas e esticadas; Uso de outros acessórios que podem contribuir para que o quadril do bebê saia do lugar, como carregadores e andadores. Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como: Assimetria das nádegas (a assimetria das pregas isoladamente, porém, não tem significado clínico; precisa haver outros sinais para se pensar em DDQ); Limitação de movimento do quadril, com dificuldade na abertura das pernas (pode ser observado na troca de fraldas, por exemplo); Claudicação. Como fazer o diagnóstico e avaliação da DDQ Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril . Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão: Manobra de Ortolani: detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo e mostra o quadril luxado. Indicado para realização até os três meses de idade do bebê. A manobra de Ortolani, entretanto, é bastante falha: ela perde o diagnóstico em 95% dos casos leves e 50% dos casos graves, com o quadril efetivamente luxado; Manobra de Barlow : detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo, evidenciando o quadril que é passível de luxação e também deve ser feito até os três meses. É igualmente pouco confiável; Manobra de Hart: após os três meses, esse é o exame mais indicado, já que Ortolani e Barlow normalmente estão negativos, mesmo que o quadril esteja luxado. Se você quer aprender a realizar as manobras adequadamente, a Eludivila conta com aulas completas na Especialização em Puericultura com Patologias, com módulo específico para ortopedia. Acesse agora e amplie o seu conhecimento para além da residência médica Quando pedir um ultrassom do quadril? No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal , ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida. Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração: 1A e 1B: quadris maduros 2A: pode ser dividido em 2A+ (deve-se repetir o exame em um mês) e 2A- (recomendamos o tratamento, conforme orientações do protocolo europeu, proposto pelo Dr. Graf em 2022, já que há evidências de uma possível artrose no futuro); 2B: quadril alterado após os três meses de idade, que indica tratamento; 2C, 2D, 3 e 4: quadril alterado, que necessita tratamento. Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar. Tratamento e Manejo da DDQ
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Informações para pediatras sobre a Criptorquidia em bebês. Entenda as opções de manejo, como diagnosticar e orientar pais e cuidadores.
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