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Pré-natal e pediatria: como fazer essa conexão com a família antes mesmo do nascimento do bebê?
17 de agosto de 2022
Pré-natal e pediatria: como fazer essa conexão com a família antes mesmo do nascimento do bebê?

Autor:

Eludivila Especialização Pediátrica

O pré-natal é uma das etapas fundamentais da gestação. Por isso, é indicado que a família receba essa assistência de obstetras e obstetrizes durante todo o processo. Também é oportuno que seja criada uma ligação desse acompanhamento com a pediatria ainda na gravidez.


Muitas famílias acreditam que o pediatra deve ser procurado apenas após o nascimento do bebê, mas é possível – e indicado – fazer essa conexão antes mesmo do parto. Afinal de contas, os primeiros 1.000 dias simbolizam a fase mais importante para o desenvolvimento físico e mental do ser humano.


Esse período representa a soma dos 270 dias da gestação com os primeiros 730 dias de vida do indivíduo, seus primeiros dois anos. A consulta de pré-natal com o pediatra é uma das maiores potências na construção de vínculo com o profissional que acompanhará o desenvolvimento do bebê.


Neste artigo, falaremos sobre como é possível conectar o profissional de pediatria com a família antes mesmo do nascimento do bebê.


Conectando o pediatra com o pré-natal

Durante a gravidez, muito se fala na saúde da futura mamãe – e esse cuidado é, de fato, extremamente importante. Também é relevante e fundamental compreender que a saúde do bebê demanda um cuidado especial, que cabe ao pediatra.


A consulta de pré-natal é uma grande oportunidade de começar a construir um desenho do crescimento saudável do bebê. É muito comum que as primeiras conversas entre a família e o profissional de pediatria aconteçam apenas no terceiro trimestre da gestação, mas essa consulta pode se dar mais cedo.

Mas, afinal de contas, como funciona o atendimento pediátrico durante o pré-natal?


A primeira consulta com o pediatra

Durante o primeiro contato entre o pediatra e a família, é fundamental que o profissional explique seu modelo de trabalho. Ainda nesse período, os pais podem criar um vínculo com o médico, e essa ligação é extremamente benéfica para o desenvolvimento saudável do bebê.


Nessa oportunidade, no início da consulta, durante a anamnese, é indicado realizar uma escuta ativa da família. Qual é a história do casal ou da mãe solo? Qual é o histórico obstétrico? A gestação foi planejada? Como foi o momento da descoberta da gravidez? Esses e outros detalhes são relevantes para o início dessa relação, que deve ser de confiança.


Em outro momento, o profissional precisa entender os antecedentes patológicos daquela família. Os cuidados diante de uma gestação de risco serão totalmente diferentes, e esse histórico mudará significativamente os rumos do atendimento.


O feto

Depois da anamnese e de uma conversa sincera sobre a história da família, é a hora de falar sobre o bebê. É muito importante compreender que o feto está se constituindo e se formando, vivendo todas as experiências da gravidez junto aos pais.


Ele começa a desenvolver todos os seus sentidos ainda na gestação. Por conta disso, é indicado que o pediatra tente estimular que os pais se interessem mais pelo bebê, compreendendo que ele está acompanhando esse processo. Conversar, contar histórias e ouvir músicas são algumas ações simples, mas muito significativas nessa fase.


Vários estudos realizados apontam que as crianças possuem uma memória afetiva depois do nascimento. Elas têm uma preferência pelas vozes que ouviram durante a gravidez, normalmente dos pais, e são apegadas às histórias e músicas que escutaram em meio ao processo de desenvolvimento ainda no  ventre da mãe.


Cada família tem sua história, mas, em muitos momentos, a espera de um bebê faz parte de um sonho. No pré-natal, é importante manter um diálogo sincero e direto com os pais, explicando todos os detalhes e alinhando as expectativas com a realidade para criar uma perspectiva saudável em relação à criança que virá ao mundo.


Exterogestação: qual a importância do pediatra durante esse período?


O corpo da mulher

Na consulta, deve-se falar sobre as mudanças no corpo da mulher em meio ao processo de gestação. Esse tema já é muito abordado pela obstetrícia, mas o papel do pediatra é tentar entender como a mãe tem lidado com a construção da relação com o bebê.


A gravidez é  marcada por diversas transformações e é importante que o profissional busque saber como a mãe e sua rede de apoio estão se sentindo com tantas novidades, tentando compreender quais são as perspectivas daquela família e como o pediatra pode ajudar.


Alguns pontos podem ser tratados nesse momento da consulta, como a importância das atividades físicas durante a gestação e a indicação da fisioterapia pélvica, que traz muitas vantagens para o parto, mas nem sempre é indicada pelo obstetra.


Ainda com relação ao corpo da mulher, é fundamental tirar todas as dúvidas sobre a nutrição da mãe durante a gestação, o aleitamento materno e a amamentação.


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O enxoval

Entre tantos assuntos básicos, o enxoval pode passar despercebido em alguns momentos, mas o tema gera muitas dúvidas e angústias para os pais. Afinal de contas, o que devo comprar para o meu filho? Quais modelos são seguros? Como estar pronto para a chegada do bebê?


É preciso compreender que o pediatra deve fazer recomendações e dar orientações diretas à família. O indicado é focar apenas na parte pediátrica, evitando se apegar a dicas sobre marcas e modelos, por exemplo.


A escolha do enxoval é um momento extremamente pessoal dos pais. Cabe ao pediatra levantar algumas questões específicas, como o planejamento financeiro, as demandas e necessidades do bebê e qual é a hora ideal para fazer as compras no decorrer da gestação.


Local de parto e a mala do bebê

O local de parto é outro detalhe muito presente nas consultas de pré-natal. Nesse momento, é importante entender quais são os desejos e as prioridades da família. A ideia é que o nascimento do bebê aconteça em um hospital? Os pais optaram por uma casa de partos ou pelo parto domiciliar?


É mais comum que a escolha seja por uma maternidade – da preferência da família. Na hora de optar pelo local de parto, os pais podem levar alguns pontos em consideração:


  • Fazer um planejamento financeiro e verificar a cobertura total do plano de saúde.
  • Checar o certificado de qualidade da maternidade.
  • Verificar a assistência da maternidade (UTI, UTI neonatal, etc.).
  • Levantar informações sobre a segurança da maternidade.
  • Verificar a hotelaria e o alojamento conjunto do local.
  • Informar-se sobre horários de visita.


A mala do bebê é outro tema que traz muitas dúvidas para a família nesse primeiro momento. De modo geral, trata-se de uma escolha muito pessoal, mas o pediatra pode fazer recomendações e orientações sobre itens que não podem faltar.


Vale destacar que não é necessário falar sobre todos esses pontos durante a primeira consulta. O ideal é trazer os assuntos no ritmo dos pais, sempre tirando todas as dúvidas da família e prestando as orientações necessárias sobre cada fase da gravidez e do pós-parto.


Ponto principal: acolhimento

A gravidez é uma fase muito especial para a família e certamente será um divisor de águas. É uma oportunidade para que os pais revejam seus hábitos e vícios, mas trata-se de um processo longo e que deve ocorrer de forma natural e sem julgamentos.


Por isso, é muito importante que o pediatra esteja mais disposto a ouvir o que a família tem a dizer e que direcione a consulta durante o pré-natal de acordo com as necessidades e demandas dos pais.

O acolhimento é a palavra-chave para um atendimento de qualidade e que se transforme em um diferencial no crescimento saudável do bebê.


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Neste artigo, falamos sobre a importância da presença do profissional de pediatria  no pré-natal. O assunto pode se desdobrar para diversas outras discussões relevantes e, por isso, ganhou um módulo especial no curso Especialização em Puericultura da Eludivila.


O curso tem o objetivo de proporcionar ao pediatra ferramentas para potencializar o dia a dia no consultório, com um enfoque nos primeiros 1.000 dias, e aborda temas como amamentação, sono infantil, introdução alimentar e muitos outros.


Um dos principais propósitos da Especialização em Puericultura é ampliar o olhar do profissional para uma pediatria que vai muito além do hospital. Nos dias de hoje, é fundamental que o médico esteja conectado à realidade das famílias e leve em consideração suas especificidades e peculiaridades.


O crescimento da criança precisa ser acompanhado de forma integral e, para isso, é primordial ter habilidade para lidar com os pais, demonstrando empatia e transformando o atendimento em uma experiência mais voltada à família.


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Por Eludivila Especialização Pediátrica 18 de junho de 2024
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos. Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica , revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764) , reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores. O que é Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)? Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente . Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ. O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros. Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado. Causas e Fatores de Risco da DDQ A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto , que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários , que causam predisposição genética. Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos: 1. Alterações do continente (útero) Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como: Oligoidrâmnio, quando o volume de líquido amniótico está abaixo do esperado para a idade gestacional e causa essa pressão; Primeira gestação, pois o útero costuma estar mais rígido; Útero com alguma fibrose, cicatriz ou deformidade; Gestação gemelar. 2. Fatores de risco relacionados ao conteúdo É o caso de gestações com bebês que: São grandes para a idade gestacional (GIG); Movimentam-se pouco dentro do útero, por diversas razões; Com apresentação pélvica, posição que pode aumentar em até 21 vezes o risco de DDQ. 3. Fatores genéticos Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril: Bebês do sexo feminino, que aumenta em até 9 vezes o risco de DDQ, já que os hormônios circulantes femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a flexibilidade das articulações e a frouxidão ligamentar; Histórico familiar positivo, que pode ser, na verdade, desde um familiar que efetivamente tratou uma DDQ, até algum familiar com um desgaste precoce do quadril (ou seja, artrose do quadril em torno dos 30 a 50 anos), que geralmente é causada por uma displasia leve não diagnosticada e, portanto, não tratada na infância. 4. Fatores extrauterinos São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como: Uso do “charutinho” com as pernas juntas e esticadas; Uso de outros acessórios que podem contribuir para que o quadril do bebê saia do lugar, como carregadores e andadores. Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como: Assimetria das nádegas (a assimetria das pregas isoladamente, porém, não tem significado clínico; precisa haver outros sinais para se pensar em DDQ); Limitação de movimento do quadril, com dificuldade na abertura das pernas (pode ser observado na troca de fraldas, por exemplo); Claudicação. Como fazer o diagnóstico e avaliação da DDQ Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril . Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão: Manobra de Ortolani: detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo e mostra o quadril luxado. Indicado para realização até os três meses de idade do bebê. A manobra de Ortolani, entretanto, é bastante falha: ela perde o diagnóstico em 95% dos casos leves e 50% dos casos graves, com o quadril efetivamente luxado; Manobra de Barlow : detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo, evidenciando o quadril que é passível de luxação e também deve ser feito até os três meses. É igualmente pouco confiável; Manobra de Hart: após os três meses, esse é o exame mais indicado, já que Ortolani e Barlow normalmente estão negativos, mesmo que o quadril esteja luxado. Se você quer aprender a realizar as manobras adequadamente, a Eludivila conta com aulas completas na Especialização em Puericultura com Patologias, com módulo específico para ortopedia. Acesse agora e amplie o seu conhecimento para além da residência médica Quando pedir um ultrassom do quadril? No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal , ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida. Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração: 1A e 1B: quadris maduros 2A: pode ser dividido em 2A+ (deve-se repetir o exame em um mês) e 2A- (recomendamos o tratamento, conforme orientações do protocolo europeu, proposto pelo Dr. Graf em 2022, já que há evidências de uma possível artrose no futuro); 2B: quadril alterado após os três meses de idade, que indica tratamento; 2C, 2D, 3 e 4: quadril alterado, que necessita tratamento. Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar. Tratamento e Manejo da DDQ
Criptorquidia
Por Eludivila Especialização Pediátrica 30 de abril de 2024
Informações para pediatras sobre a Criptorquidia em bebês. Entenda as opções de manejo, como diagnosticar e orientar pais e cuidadores.
vacina da dengue
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Reunimos as principais informações sobre a vacina da dengue para que os pediatras possam orientar adequadamente seus pacientes.

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