Blog >

Como orientar os pais sobre a introdução alimentar do bebê
10 de agosto de 2022
Como orientar os pais sobre a introdução alimentar do bebê

Autor:

Eludivila Especialização Pediátrica

A introdução alimentar é uma das fases mais importantes do desenvolvimento saudável do bebê. Durante esse processo, que tem seu início recomendado no sexto mês de vida, a dieta da criança começa a incorporar outros alimentos, além do leite materno ou das fórmulas.


É nesse momento que o bebê passa a sentir a necessidade de ingerir mais energia do que o leite é capaz de proporcionar. É fundamental buscar criar uma relação equilibrada da criança com a comida para que ela possa se tornar um adulto saudável.


Falaremos sobre o assunto neste artigo, que tem o objetivo de auxiliar você, pediatra, a orientar a família para a introdução alimentar no consultório.


Por que fazer a introdução alimentar aos 6 meses?

Além da importância de fazer a introdução alimentar para suprir uma demanda energética do organismo, é necessário compreender que esse processo é muito significativo para o desenvolvimento de diversas habilidades.


O bebê começa a criar suas habilidades renais e digestivas, adquire maturidade neuromotora, desenvolve suas funções cognitivas, dentre outras. Aos seis meses de idade, é comum que a criança passe a demonstrar interesse pelos alimentos e se mostre “madura” para iniciar esse processo.


É necessário que o bebê esteja pronto para isso, e certamente ele deixa transparecer alguns sinais de prontidão, como:


  • Controle postural (sentar-se com um apoio mínimo ou sem apoio).
  • Maior movimentação da musculatura proximal e distal (levar objetos à boca).
  • Ampliação dos movimentos da língua com laterização.
  • Diminuição ou perda do reflexo de protrusão da língua.


Muitos profissionais e cuidadores perguntam se é possível iniciar o processo antes dos seis meses. É importante compreender os sinais de prontidão e levar em consideração questões individuais da criança.


Na hora de orientar os pais, é indicado que o pediatra conheça a realidade daquela família, quais são os hábitos e rituais alimentares e explique o significado da introdução alimentar.


A importância do ambiente

Durante a consulta, é essencial que o pediatra converse com os pais a respeito do ambiente em que a introdução alimentar será realizada. O bebê precisa ter uma autonomia para que não crie uma relação negativa com a comida.


É recomendado manter uma relação de respeito com a criança, evitando forçá-la a se alimentar e entendendo seus sinais de fome e de saciedade. Confira os mais comuns:


Sinais de fome


Aos 6 meses:

  • chora
  • inclina-se para a frente quando a colher está próxima;
  • segura a mão da pessoa que está oferecendo;
  • abre a boca.


Entre 7 e 11 meses:

  • inclina-se para a colher ou para o alimento;
  • pega ou aponta para o alimento;
  • fica excitada quando vê o alimento.


Sinais de saciedade


Aos 6 meses:

  • vira a cabeça ou o corpo;
  • perde interesse na alimentação;
  • empurra a mão de quem está oferecendo;
  • parece angustiado ou chora.


Entre 7 e 11 meses:

  • come mais devagar ou fica com a comida parada na boca;
  • empurra a comida;
  • fecha a boca.


É essencial que os pais entendam que o corpo da criança “decide” quando ela está ou não satisfeita. Os cuidadores podem ensinar o bebê a deixar mais claros os sinais de saciedade.


Durante a consulta, o pediatra pode orientar sobre como a família deve agir em caso de recusa da alimentação e trazer exemplos do dia a dia. O profissional precisa trabalhar em parceria com os pais, sempre em prol da introdução alimentar de forma saudável para a criança.


Como lidar com o nascimento de dentes do bebê?


Quantidade de comida

A quantidade é uma das dúvidas mais comuns entre os pais. Em primeiro lugar, é indicado que o pediatra deixe claro que o mais importante não é a quantidade, mas a relação que o bebê vai criar com a comida.


Não existe uma quantidade exata durante a introdução alimentar e é necessário enxergar o bebê de forma individual. Existem algumas referências que podem ser usadas para orientar os pais, mas é fundamental esclarecer que cada criança tem sua particularidade.


Veja a quantidade média por idade:


  • 6 meses: 1 colher de sobremesa de um alimento de cada grupo de alimentos;
  • 7 meses: 3 a 4 colheres de sopa no total;
  • 9 a 11 meses: 4 a 5 colheres de sopa no total;
  • 1 a 2 anos: 5 a 6 colheres de sopa no total.


Vale reiterar que esses números são médios, e o profissional deve levar em consideração a individualidade da criança e a realidade da família.


O que servir ao bebê?

É comum que os pais, ansiosos e angustiados com essa nova fase do bebê, façam muitas perguntas sobre o que servir à criança durante a introdução alimentar. Antes de entrar nesse assunto durante a consulta, no entanto, é importante conhecer a rotina da família.


Afinal de contas, será necessário fazer uma reorganização da rotina alimentar para a adaptação do bebê? O pediatra deve prestar orientações precisas aos cuidadores, incluindo a necessidade de criar uma rotina para o desenvolvimento de bons hábitos alimentares.


O Ministério da Saúde, por meio do Guia da Criança, sugere uma ideia de cardápio que pode ser introduzido para crianças a partir dos seis meses de idade. Confira: Guia da Criança, Ministério da Saúde - 2019


Tipos de alimentos

Os alimentos processados e ultraprocessados não são recomendados em nenhuma faixa etária e é preciso ter ainda mais cuidado durante a introdução alimentar. Durante essa fase, é indicado que os cuidadores utilizem alimentos in natura ou minimamente processados.


Com relação à introdução das frutas, o pediatra pode tranquilizar os pais, que muitas vezes se sentem inseguros. O indicado é sempre dar preferência às frutas orgânicas e da estação. Variar é sempre uma boa ideia e pode ajudar nesse processo.


Importante: é sempre válido alertar os pais sobre os riscos dos alimentos com resíduos de agrotóxicos. Em longo prazo, os efeitos à saúde são cumulativos. Outro ponto a destacar é que a higienização deve ser feita com atenção.


Como fazer um prato completo?

Na hora de preparar um prato considerado completo para o bebê durante a introdução alimentar, é fundamental inserir ao menos um alimento de cada um dos grupos alimentares. Algumas sugestões:


1. Cereais ou raízes e tubérculos

Arroz, milho, macarrão, batatas, mandioca, inhame, cará, farinha de trigo, aveia, dentre outros.


2. Leguminosas

Alimentos como feijões de todos os tipos, soja, ervilha, lentilha e grão-de-bico.


3. Legumes e verduras

Couve, brócolis, abóbora, cenoura, abobrinha, repolho, quiabo, espinafre, beringela, dentre outros.


4. Carnes e ovos

Carne bovina, carne de ave, pescado e ovo.


Muitas vezes, os pais têm dúvida sobre a introdução de temperos ao preparar os pratos. Os temperos naturais podem ser usados. É importante evitar a utilização de temperos prontos e o exagero do sal.


Introdução alimentar: um longo assunto

Falamos sobre diversos temas relacionados à introdução alimentar neste artigo, mas a verdade é que existem muitos outros pontos relevantes e que devem ser tratados com os pais para que o processo seja feito da forma mais adequada possível.


Os cuidadores ainda podem ter dúvidas relacionadas à alimentação, como a utilização de óleos e azeites, a introdução de mel e açúcar, alimentos alergênicos (como leite de vaca e seus derivados, por exemplo), descongelamento e armazenamento dos alimentos.


A introdução alimentar é um assunto que pode render uma longa discussão. Por isso, o tema se tornou um módulo completo na Especialização em Puericultura da Eludivila, que visita todos os pontos relacionados ao processo.


A Especialização em Puericultura da Eludivila

O principal objetivo do curso é proporcionar ao pediatra ferramentas que potencializem o dia a dia no consultório, ampliando seu olhar para uma pediatria que vai muito além do hospital, trazendo conceitos não abordados na maior parte das residências.


A Eludivila acredita que não é mais possível seguir com o atendimento na puericultura se limitando apenas ao acompanhamento das curvas de crescimento e dos checklists de desenvolvimento.


É preciso se conectar à realidade das famílias, levando em consideração seu entorno e se integrando com a rotina de quem cuida da criança, sempre fornecendo informações de qualidade e transformando o atendimento em uma verdadeira rede de apoio.


A Especialização em Puericultura da Eludivila aborda diversos temas relacionados ao universo da pediatria. As aulas são gravadas e podem ser vistas a qualquer momento e quantas vezes forem necessárias. Elas ficam disponíveis por 2 anos a partir do início do curso.


Conheça mais o curso, entenda o conteúdo programático e conte com a Eludivila para se destacar ainda mais no consultório de pediatria!


Quero conhecer a Especialização em Puericultura!

Por Eludivila Especialização Pediátrica 18 de junho de 2024
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos. Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica , revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764) , reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores. O que é Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)? Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente . Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ. O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros. Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado. Causas e Fatores de Risco da DDQ A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto , que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários , que causam predisposição genética. Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos: 1. Alterações do continente (útero) Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como: Oligoidrâmnio, quando o volume de líquido amniótico está abaixo do esperado para a idade gestacional e causa essa pressão; Primeira gestação, pois o útero costuma estar mais rígido; Útero com alguma fibrose, cicatriz ou deformidade; Gestação gemelar. 2. Fatores de risco relacionados ao conteúdo É o caso de gestações com bebês que: São grandes para a idade gestacional (GIG); Movimentam-se pouco dentro do útero, por diversas razões; Com apresentação pélvica, posição que pode aumentar em até 21 vezes o risco de DDQ. 3. Fatores genéticos Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril: Bebês do sexo feminino, que aumenta em até 9 vezes o risco de DDQ, já que os hormônios circulantes femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a flexibilidade das articulações e a frouxidão ligamentar; Histórico familiar positivo, que pode ser, na verdade, desde um familiar que efetivamente tratou uma DDQ, até algum familiar com um desgaste precoce do quadril (ou seja, artrose do quadril em torno dos 30 a 50 anos), que geralmente é causada por uma displasia leve não diagnosticada e, portanto, não tratada na infância. 4. Fatores extrauterinos São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como: Uso do “charutinho” com as pernas juntas e esticadas; Uso de outros acessórios que podem contribuir para que o quadril do bebê saia do lugar, como carregadores e andadores. Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como: Assimetria das nádegas (a assimetria das pregas isoladamente, porém, não tem significado clínico; precisa haver outros sinais para se pensar em DDQ); Limitação de movimento do quadril, com dificuldade na abertura das pernas (pode ser observado na troca de fraldas, por exemplo); Claudicação. Como fazer o diagnóstico e avaliação da DDQ Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril . Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão: Manobra de Ortolani: detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo e mostra o quadril luxado. Indicado para realização até os três meses de idade do bebê. A manobra de Ortolani, entretanto, é bastante falha: ela perde o diagnóstico em 95% dos casos leves e 50% dos casos graves, com o quadril efetivamente luxado; Manobra de Barlow : detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo, evidenciando o quadril que é passível de luxação e também deve ser feito até os três meses. É igualmente pouco confiável; Manobra de Hart: após os três meses, esse é o exame mais indicado, já que Ortolani e Barlow normalmente estão negativos, mesmo que o quadril esteja luxado. Se você quer aprender a realizar as manobras adequadamente, a Eludivila conta com aulas completas na Especialização em Puericultura com Patologias, com módulo específico para ortopedia. Acesse agora e amplie o seu conhecimento para além da residência médica Quando pedir um ultrassom do quadril? No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal , ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida. Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração: 1A e 1B: quadris maduros 2A: pode ser dividido em 2A+ (deve-se repetir o exame em um mês) e 2A- (recomendamos o tratamento, conforme orientações do protocolo europeu, proposto pelo Dr. Graf em 2022, já que há evidências de uma possível artrose no futuro); 2B: quadril alterado após os três meses de idade, que indica tratamento; 2C, 2D, 3 e 4: quadril alterado, que necessita tratamento. Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar. Tratamento e Manejo da DDQ
Criptorquidia
Por Eludivila Especialização Pediátrica 30 de abril de 2024
Informações para pediatras sobre a Criptorquidia em bebês. Entenda as opções de manejo, como diagnosticar e orientar pais e cuidadores.
vacina da dengue
Por Eludivila Especialização Pediátrica 29 de março de 2024
Reunimos as principais informações sobre a vacina da dengue para que os pediatras possam orientar adequadamente seus pacientes.

Assine nossa Newsletter

Cadastre-se e receba novidades e dicas da Eludivila

em seu e-mail.

Contate-nos

Share by: