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Janela do sono do bebê: como orientar as famílias no consultório de pediatria
3 de agosto de 2022
Janela do sono do bebê: como orientar as famílias no consultório de pediatria

Autor:

Eludivila Especialização Pediátrica

Pediatra, você sabe o que é a janela do sono do bebê? Fala-se muito a respeito da importância do sono para a qualidade de vida de qualquer indivíduo, mas é imprescindível compreender o impacto que boas noites de sono provocam no organismo, principalmente durante a infância.


Para os bebês, a qualidade do sono tem uma ligação direta com seu desenvolvimento saudável. Afinal de contas, é  nesse período que o cérebro se desenvolve, e o corpo faz a modulação da defesa imunológica, do humor e de outras funções.


Antes de entender exatamente o que é a janela do sono e como é fundamental orientar os pais para que ela seja respeitada, falaremos sobre as consequências da privação de sono e de outros detalhes que devem ser tratados durante a consulta com os pais.


Privação de sono

Dormir é uma necessidade vital do organismo e precisa ser uma prioridade na vida de todos nós. A privação de sono pode trazer inúmeras consequências para a saúde – não apenas dos bebês, mas também para seus cuidadores.


Com relação às crianças, é habitual que elas apresentem algumas alterações comportamentais quando não estão dormindo o suficiente. Muitas vezes elas ficam mais manhosas e hiperativas, o que pode indicar que o sono não está adequado.


É muito comum que as pessoas enxerguem a privação de sono como algo “normal” durante os primeiros meses de vida. De fato, as noites de sono ficam mais delicadas nesse período, mas elas são muito importantes, e o assunto deve ser tratado com carinho e atenção no consultório pediátrico.


O ciclo do sono

Para interpretar os ciclos do sono, é necessário compreender que eles ocorrem de acordo com a idade do bebê. O sono tem padrões completamente diferentes relacionados à faixa etária da criança, já que ele passa pelas fases de desenvolvimento.


Entenda quais são os ciclos durante os primeiros meses de vida:


Recém-nascido

Durante o primeiro mês após o nascimento, não existe um padrão médio de sono para o bebê. O recém-nascido ainda não tem noção sobre as diferenças entre dias e noites, principalmente porque viveu na barriga da mãe durante a gestação.


Nessa fase, a criança ainda está desenvolvendo seu relógio biológico. Assim, nesse primeiro período, é preciso acalmar os pais, que muitas vezes se sentem angustiados porque, mesmo seguindo todas as orientações, não constatam claramente um padrão de sono.


Primeiro ao quarto mês

Entre o primeiro e o quarto mês de vida, o bebê começa a responder aos estímulos externos, que ajudam no processo de regulação do sono. É nesse momento que geralmente a criança começa a ficar mais acordada durante o dia e a dormir melhor no período noturno.


Muitas vezes, o bebê não consegue dormir por longas horas seguidas, mas os intervalos ficam mais curtos.


Seis meses

A criança vai se desenvolvendo com o tempo, e aos seis meses os padrões de sono começam a ficar mais visíveis do ponto de vista fisiológico.


É muito importante destacar para a família que cada organismo funciona de uma forma. Fatores individuais de cada bebê vão indicar quando ele vai atingir os níveis de sono, e os “padrões” citados acima servem apenas como uma referência, não são exatos.

Janela do sono do bebê

As sonecas e a janela do sono

Uma dúvida muito comum entre os pais é com relação às sonecas dos bebês. É valioso que o pediatra esclareça para a família que não existe uma rigidez relacionada ao assunto. Não há um modelo estabelecido sobre quantas vezes o bebê dorme por dia, nem por quanto tempo.


A janela do sono representa o período entre uma soneca e outra, o tempo em que a criança consegue se manter acordada. Essa janela vai aumentando conforme ela cresce; enquanto isso, é primordial compreender os sinais de sono.


Muitas vezes, os cuidadores confundem o comportamento do bebê, acima de tudo nos primeiros meses. É comum que a família entenda como sinais de fome, cólica ou outras necessidades, como a troca da fralda, por exemplo.


Quais são os sinais de sono?

Durante a consulta com o pediatra, é importante que a família receba orientações mais diretas sobre os sinais de sono da criança. Tendo isso em mente, os cuidadores conseguirão respeitar a janela do sono do bebê com mais facilidade.


Confira os sinais mais comuns:


  • O bebê começa a coçar os olhos e o rosto, e apresenta olhos vermelhos.
  • Perde o interesse nas coisas ao redor, evita contato visual.
  • Demonstra querer pegar o peito.
  • Fica mais agitado, inquieto e boceja.
  • Fica irritado, com o corpo tenso, e chora.


O que o choro do bebê costuma nos dizer?


Efeito vulcânico

É comum que os pais acreditem que o bebê que ficou acordado durante todo o dia vai ter uma noite de sono com mais qualidade. Na verdade, esse processo é o inverso: quando a criança dorme bem durante o dia, provavelmente ele também vai dormir bem no período noturno.


A explicação é o efeito vulcânico, também conhecido como “pressão homeostática do sono”. Ele é o resultado do sono inadequado no decorrer do dia (ou a falta de sonecas). Essa má qualidade do sono pode resultar em uma extrema irritação e fazer com que o bebê acorde mais vezes e mais cedo durante a noite.


Como evitar o efeito vulcânico?


  • Investir na qualidade das sonecas.
  • Manter um ritual de sono noturno e um horário adequado.
  • Ter ambiente apropriado ao sono.
  • Atentar aos sinais de sono.


O sono e sua importância

Embora tenhamos falado sobre diversos assuntos relacionados ao sono e explicado neste artigo a importância da janela do sono e como ela deve ser respeitada, existem muitos outros temas ligados a esse processo tão relevante para qualquer indivíduo.


A consulta com a família pode ser enriquecida com muitas outras informações, e muitas vezes os pais trazem outras dúvidas para o consultório de pediatria. São comuns perguntas sobre o ambiente mais adequado para uma boa noite de sono, o berço e, principalmente, a segurança do bebê durante a noite.


Devido a sua importância, o assunto ganhou um módulo completo na Especialização em Puericultura da Eludivila, que traz diversos pontos valiosos e que pode fazer a diferença no momento de orientar as famílias nas consultas.


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Por Eludivila Especialização Pediátrica 18 de junho de 2024
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês (DDQ) é uma doença que acomete 5 a cada 100 crianças e que pode levar a dificuldade de mobilidade, dor e outros problemas ortopédicos. Neste artigo especial da Eludivila Especialização Pediátrica , revisado pelo Ortopedista Pediátrico, David Gonçalves Nordon (CRM 149.764) , reunimos as principais informações que pediatras gerais precisam saber a respeito da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês. Assim, você poderá fazer um diagnóstico e tratamento corretos, além de fornecer boas orientações aos pais e cuidadores. O que é Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)? Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), conhecida antigamente como luxação congênita do quadril, é uma patologia ortopédica, que acontece quando a curva do acetábulo não se desenvolve corretamente . Isto é, a cavidade da articulação do quadril se apresenta de maneira que facilita uma subluxação ou luxação do quadril. Todas as variações dentro desse espectro se enquadram, atualmente, no que definimos como DDQ. O resultado são problemas de estabilidade, mobilidade, posicionamento da articulação, dores articulares, dificuldade do bebê para engatinhar, dentre outros. Em 60% dos casos, a DDQ acontece do lado esquerdo, 20% no direito e 20% dos casos são bilaterais. A propensão ao quadril esquerdo se dá pela posição em que a maioria dos bebês se encontram no útero, causando uma pressão do sacro nesse lado. Causas e Fatores de Risco da DDQ A Displasia do Desenvolvimento do Quadril em bebês pode ter algumas causas, dentre elas a posição intrauterina do feto , que pode forçar o quadril a sair do lugar, e fatores hereditários , que causam predisposição genética. Podemos subdividir os fatores de risco associados ao desenvolvimento da DDQ em quatro grupos: 1. Alterações do continente (útero) Quando o útero aperta o quadril do bebê, o que pode ser causado por diversos motivos, como: Oligoidrâmnio, quando o volume de líquido amniótico está abaixo do esperado para a idade gestacional e causa essa pressão; Primeira gestação, pois o útero costuma estar mais rígido; Útero com alguma fibrose, cicatriz ou deformidade; Gestação gemelar. 2. Fatores de risco relacionados ao conteúdo É o caso de gestações com bebês que: São grandes para a idade gestacional (GIG); Movimentam-se pouco dentro do útero, por diversas razões; Com apresentação pélvica, posição que pode aumentar em até 21 vezes o risco de DDQ. 3. Fatores genéticos Em relação à predisposição genética, é possível apontar como fator de risco para a displasia de quadril: Bebês do sexo feminino, que aumenta em até 9 vezes o risco de DDQ, já que os hormônios circulantes femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a flexibilidade das articulações e a frouxidão ligamentar; Histórico familiar positivo, que pode ser, na verdade, desde um familiar que efetivamente tratou uma DDQ, até algum familiar com um desgaste precoce do quadril (ou seja, artrose do quadril em torno dos 30 a 50 anos), que geralmente é causada por uma displasia leve não diagnosticada e, portanto, não tratada na infância. 4. Fatores extrauterinos São os fatores que acontecem após o nascimento do bebê e que devem ser orientados pelo pediatra, como: Uso do “charutinho” com as pernas juntas e esticadas; Uso de outros acessórios que podem contribuir para que o quadril do bebê saia do lugar, como carregadores e andadores. Leia também: Assimetria craniana em bebês: Guia completo para pediatras Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril Após avaliar os fatores de risco, os pediatras devem estar atentos a alguns sinais que os bebês podem apresentar, como: Assimetria das nádegas (a assimetria das pregas isoladamente, porém, não tem significado clínico; precisa haver outros sinais para se pensar em DDQ); Limitação de movimento do quadril, com dificuldade na abertura das pernas (pode ser observado na troca de fraldas, por exemplo); Claudicação. Como fazer o diagnóstico e avaliação da DDQ Bom, mas então, como fazer a avaliação em consultório para detectar uma possível DDQ no bebê? Além da observação dos sintomas apontados pelos pais, é necessário fazer o exame clínico, além de solicitar ultrassonografia do quadril . Dentre os principais métodos diagnósticos em consultório estão: Manobra de Ortolani: detecta o deslizamento posterior do quadril para dentro do acetábulo e mostra o quadril luxado. Indicado para realização até os três meses de idade do bebê. A manobra de Ortolani, entretanto, é bastante falha: ela perde o diagnóstico em 95% dos casos leves e 50% dos casos graves, com o quadril efetivamente luxado; Manobra de Barlow : detecta o deslizamento do quadril para fora do acetábulo, evidenciando o quadril que é passível de luxação e também deve ser feito até os três meses. É igualmente pouco confiável; Manobra de Hart: após os três meses, esse é o exame mais indicado, já que Ortolani e Barlow normalmente estão negativos, mesmo que o quadril esteja luxado. Se você quer aprender a realizar as manobras adequadamente, a Eludivila conta com aulas completas na Especialização em Puericultura com Patologias, com módulo específico para ortopedia. Acesse agora e amplie o seu conhecimento para além da residência médica Quando pedir um ultrassom do quadril? No Brasil, não há um protocolo específico de quando pedir o ultrassom. Aqui no Eludicar Centro Materno-Infantil, a conduta é fazer o screening universal , ou seja, solicitamos o ultrassom para todos os pacientes, a partir das 3 a 4 semanas de vida do bebê. Nos casos em que o bebê apresenta fatores de risco (apresentação pélvica, oligoidrâmnio, gemelares), o ideal é fazer a ultrassonografia na primeira semana de vida. Para definir o tratamento, você pode utilizar o método Graf para ultrassonografia articular, que divide em graus o nível de alteração: 1A e 1B: quadris maduros 2A: pode ser dividido em 2A+ (deve-se repetir o exame em um mês) e 2A- (recomendamos o tratamento, conforme orientações do protocolo europeu, proposto pelo Dr. Graf em 2022, já que há evidências de uma possível artrose no futuro); 2B: quadril alterado após os três meses de idade, que indica tratamento; 2C, 2D, 3 e 4: quadril alterado, que necessita tratamento. Interpretar o resultado do ultrassom pode ser desafiador, por isso recomendamos assistir ao estudo de caso clínico realizado pelo Dr. David Nordon, ortopedista pediátrico do Eludicar. Tratamento e Manejo da DDQ
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